domingo, 10 de setembro de 2017

La vida seguirá


Poucas horas me separam de voltar à minha rotina normal. Da vida que me recuso a aceitar, mas que sempre acabo me acostumando. A nostalgia me consome. Lembranças tuas, daqueles dias que pareciam eternos, e que se repetiram em lugares e momentos diferentes, inesquecíveis. Tenho estado letárgica nos últimos dias e agora pareço me dar conta de onde estou. Não é tristeza. É apenas a velha vontade de estar em outro lugar. Me deito, me conformo, embora não me acostume. O amanhã virá inevitavelmente. Um consolo: a vida vai continuar onde quer que eu esteja, inclusive aqui.

terça-feira, 7 de março de 2017

Um recado da auto compaixão

Você não precisa sorrir. Pode usar o seu próprio rosto só por um instante, sem nenhuma cor. Só por hoje você não precisa voar, não tem que explodir de alegria, não precisa se apaixonar. Permita-me dizer que você não precisa ser forte, como costumava dizer, deixe o descontrole tomar conta de você por um segundo. Feche os olhos, relaxe, não enxugue as lágrimas se não quiser. Você não precisa se levantar, experimente apenas descansar. Não tema o vazio, os dias comuns, as frustrações é o desamor: nem todo dia é uma sexta feira de sol. Agradeça por poder sentir algo, ainda que seja a dor. Só por hoje se permita ser, se deixe levar, ferir, curar, passar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Já não estou



Volto pro meu mundo de quatro paredes: meu quarto, minha rede. Acho que nunca me senti tão só, e tão infeliz. Preciso me acostumar à minha própria companhia, que por muito tempo tentei evitar com afazeres que me sufocam, demandas externas e histórias de amor.

Talvez a vida esteja tentando me ensinar a passar por esses momentos inevitáveis. Ao longo do nosso caminho perdemos pessoas queridas, nos despedimos de coisas e lugares, nos separamos, morremos. E eu, que de tão acostumada a despedidas, pareço totalmente despreparada.

Sua partida não foi nada diante do que está por vir. Isso me estremece. Não consigo ativar um botão do desapego e viver friamente sem que nada me afete: sou intensa, e isso me faz perder pedaços a cada vez que tenho que dizer adeus. Fui deixando meus pedaços a cada uma de nossas despedidas, até que não restou nada de mim. Sinto falta de mim...Não tem ninguém nesse quarto.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O fim de um começo e o começo de um fim

Empacotando lembranças que jamais serão esquecidas. Talvez um dia, por distração, eu venha a desempacotá-las. Talvez um dia aquele tango já não me cause dor. Aquelas fotos me façam sorrir. E aquele pedacinho de mundo possa me pertencer outra vez.
Me sinto naquele momento em que minha vida começa a parecer um filme do Almodóvar e eu volto a escrever sem rumo, sem pretensão.
Retiro uma mala das costas e ganho um buraco infinito. Mas são dos buracos que são feitos os destinos...Vou caminhando na trilha sozinha, e quem sabe no fim da linha eu encontre o meu.
Como é belo o fim da linha...

domingo, 11 de setembro de 2016

Ultimato


E eis que sempre chega o precioso último. Uma última noite, um último abraço de despedida, o último domingo de férias, um último instante que não se dá por vencido, deixando a expectativa de se repetir...uma, duas ou dez vezes mais até que venha a última vez.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Anywhere, anyway...

 

Desde que nasci essa vontade constante de estar em várias partes do mundo enquanto tento seguir a rotina me acompanha. Nunca soube se as outras pessoas sentem o mesmo. Fica difícil repetir o mesmo trabalho de cada dia com a mente do outro lado do mundo, principalmente nesses dias, em que não sei se em consequência de algo triste que eu tenha vivido, de algum desajuste hormonal ou simplesmente tédio, minha mente se agarra às lembranças de lugares por onde passei e quis ficar, deixando lá um pouco da minha alma. Às vezes, também, cenas de paisagens que nunca presenciei invadem esses pensamentos já distraídos, trazendo a sensação de estar presa a uma jaula de onde não posso sair.

Já não sei se deveria buscar ajuda para aprender a me contentar com o mundo que tenho ao alcance, ou se gostaria de, realmente, poder estar em todos os lugares. Quem sabe essa angústia um dia me leve a  algum lugar.

Poderei um dia quebrar as grades? Existe vida após a vida? Há tempo o bastante para buscar o lugar ao qual pertenço?

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Pra seguir viagem...


 E no meio do turbilhão sempre existe um plano B. Jessica sem plano B, não é Jessica. Queria publicar essa frase em algum lugar mas certamente ela não seria bem compreendida. Volto pra cá. Minha caverninha pessoal, minha ilha particular, onde despejo minhas ideias, meus pedaços, na esperança de algum dia se tornarem algo produtivo, nem que seja para umas boas risadas futuras.

Há muito tempo me esforço pra entender os estranhos rumos que as coisas tomam, e a boa razão para que coisas terríveis acontecem. Já começo a crer na Lei do Retorno, de que todo o sofrimento que causamos aos outros, algum dia voltam (e se voltam) para nós mesmos...Assim como o amor que jogamos nas esquinas. Mas existe uma coisa que nunca refleti: sofrimento é pra ser digerido, processado, transformado.

Reconheço que no meio das decepções o que mais me machuca não é o fato em si, mas aquilo que deixo de oferecer a mim mesma..dos sonhos que vão ficando pendentes pelo caminho. Penso que eles estão aí para serem realizados, não importa se há vento, tempestade, ou se navego sem rumo num barco solitário: talvez seja essa mesmo a minha sina.